Engenho & Obra - Associação para o Desenvolvimento e Cooperação, ONGD
 
 

English  

Segue-nos

Entidade Formadora Certificada

 

  

 

“Quem conduz e arrasta o Mundo não são as máquinas, são as ideias…”
Victor Hugo (1802-1885)


 

Há propósitos difíceis de apresentar. Há ideias difíceis de definir. Não é o caso do conteúdo deste documento. De facto, os seus promotores há muito que trabalham a ideia e o projecto. E estão determinados em avançar no terreno da concretização.

Portugal ocupa um lugar privilegiado no campo da cooperação. O nosso País, pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento e na cooperação com os países do sul, dado por um lado, a sua natural preponderância geográfica e por outro lado, a sua cultura multiclassista e multilingue.

Vocação de Portugal para a cooperação

Em Novembro passado, O Governo da República aprovou a orientação estratégica da Política Externa de Cooperação denominada “Uma visão Estratégica para a Cooperação Portuguesa”. Nesta Resolução (1) existe um objectivo concreto de dotar Portugal de uma política de cooperação para o desenvolvimento, “que contribua para a valorização de Portugal no mundo, através da implementação de uma política de cooperação que, por ser coordenada e estrategicamente orientada, se torna inquestionavelmente mais eficiente e eficaz”. Pretende-se então valorizar o papel do nosso País como actor de relevo no contexto internacional da cooperação para o desenvolvimento, através de uma estratégia clara que defina prioridades nacionais geográficas e temáticas.

Um dos aspectos porventura mais significativos das questões ligadas à cooperação tem a ver com a sensibilidade das pessoas neste campo, particularmente com as questões da eficácia e qualidade da ajuda. Mas não só, torna-se cada vez mais claro, que existem aspectos importantes da vida das populações que têm de ser minimamente preservados e que significam a autonomia das pessoas: alojamento, alimentação, educação e formação, ou seja, mecanismos de subsistência com qualidade.

Nas próximas duas décadas, calcula-se um aumento da população mundial em quase 2 bilhões de pessoas. Estima-se que 95% destas pessoas nascerão em países em desenvolvimento ou sub-desenvolvidos. Este crescimento irá provocar uma significativa degradação do meio-ambiente. “Nas últimas décadas, várias organizações de engenheiros e outros profissionais formaram grupos de trabalho referentes a sustentabilidade, e os mesmos têm recomendado aos seus associados que direcionem suas decisões lavando em conta os princípios do desenvolvimento sustentável” (2).

Desenvolvimento sustentável

O conceito de desenvolvimento sustentável e luta contra a pobreza, não é pois um mito, mas uma realidade concreta que abrange o acesso a cuidados de saúde, à alfabetização básica e apoio escolar, à formação mínima, à segurança alimentar, à melhoria habitacional, bem como o apoio a actividades capazes de gerar rendimento, a acções de inclusão social e de promoção de igualdade de oportunidades. A Cimeira de Joanesburgo, em 2002, gerou um empenhamento considerável no reforço dos compromissos assumidos na Declaração do Rio e na Agenda XXI para a promoção do desenvolvimento sustentável. Alguns desses compromissos prendem-se com a concretização de metas e calendários em matérias como o acesso à água e ao saneamento básico, nas condições mínimas de habitabilidade, na utilização da energia …
 
O papel da engenharia

A Engenharia fornece em toda a linha os instrumentos e os meios necessários. Na sua faceta multi e interdisciplinar e para além das especialidades tradicionais (electrotecnia, mecânica, civil, informática e telecomunicações, …) podemos encontrar importantes contribuições da Engenharia nas áreas do Ambiente, Saúde Pública, Oceanos, Organização Empresarial,.... Mas a Engenharia tem também uma vertente multicultural que assenta as suas bases nas modernas concepções da engenharia pedagógica, didáctica e de recursos, que representa o que é considerada como engenharia da formação. São todos estes campos de actuação que nos propomos cobrir, através de projectos e iniciativas concretas e que possam contribuir para o que é considerado como o desenvolvimento sustentável das populações, contribuindo dessa forma também para uma verdadeira política de cooperação….

A Engenharia “estimula a aplicação do conhecimento e da racionalidade na procura de melhores soluções, possibilita o trabalho em equipas diversificadas, envolvendo também profissionais que trazem aos projectos e empresas a sustentabilidade económica que permite enfrentar a competitividade dos mercados abertos” (3).

Os Engenheiros são efectivamente um recurso estratégico dos países. Em Setembro passado, o Ministro da Ciência e Tecnologia de Moçambique afirmou, no 4.º Congresso Luso-Moçambicano de Engenharia, a importância da Engenharia na luta contra a pobreza e apelou aos Engenheiros para encontrarem soluções que permitam melhorar as condições de vida das populações.

O compromisso da União Europeia

São imensos, no momento presente, os apelos à participação das organizações da sociedade civil. A União Europeia publicou em Julho de 2005 uma declaração conjunta da Comissão e do Parlamento, (4), intitulada “Politica de desenvolvimento da UE – o Consenso Europeu”. Aí são definidos objectivos e princípios que deverão servir de base à visão comum da política de desenvolvimento dos estados-membros e da Comunidade; são feitas propostas, nomeadamente sobre aquilo que se considera serem “os princípios de parceria e apropriação das estratégias de cooperação para o desenvolvimento, incluindo o papel da sociedade civil, um diálogo político aprofundado e um compromisso em relação aos países fragilizados”.

Engenho e Obra

Os promotores desta ideia, com experiência em projectos internacionais, ao longo de mais duas décadas, estão conscientes da importância da sociedade civil na cooperação internacional, no papel que lhes poderá caber na transformação de ideias em projectos concretos, na obra imensa que significa a dignificação da qualidade de vida das populações dos países terceiros, em particular dos países da lusofonia. Estão também conscientes da importância de Portugal na cooperação internacional e também na promoção e difusão da Língua Portuguesa no Mundo.

Assim apelam à participação nesta iniciativa de todos aqueles, engenheiros, técnicos e outros profissionais, bem como instituições nacionais ou estrangeiras que, em boa vontade, se queriam juntar, no sentido da constituição de uma ONGD – ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO. Uma ONGD (5) é uma associação da sociedade civil, de direito privada e fins não lucrativos, criada expressamente com o propósito de trabalhar no âmbito da cooperação para o desenvolvimento.

António Castro Vide
Alfredo Soares Ferreira
PORTUGAL, Janeiro 2006


(1) Citado da “Resolução do Conselho de Ministros nº 196/2005”, in Diário da Republica nº 244, I série-B, de 22 de Dezembro de 2005.
(2) Citado de “Parceria entre Brasil e Estados Unidos”, in http://ceae.colorado.edu/bsp/cefet-cu/indexPort.html
(3) In Revista INGENIUM, nº 89 de Setembro de 2005
(4) Citando “Proposta de Declaração Conjunta do Conselho, do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia – COM 2005 311 final, in http://www.esc.eu.int
(5) Criadas através da Lei n.º 66/98, de 14 de Outubro, que regula o respectivo estatuto